Alergia alimentar é tema em Semana Mundial

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09.04.19

Mais de 170 alimentos são considerados potencialmente alergênicos, apesar de uma pequena parcela deles ser responsável por um maior número de reações: leite, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar.

Semana Mundial de Alergia

Com o objetivo de conscientizar sobre diagnóstico, tratamento e prevenção das diversas formas de alergias, ocorre até o dia 13 de abril a Semana Mundial de Alergia, iniciativa da World Allergy Organization (WAO) e que no Brasil é organizada pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). O tema central deste ano é “Alergia Alimentar: Um Problema Global”. No Brasil, não há estatísticas oficiais, porém, a prevalência parece se assemelhar à literatura internacional, que mostra cerca de 8% das crianças com até dois anos de idade e 2% dos adultos sofrendo algum tipo de alergia alimentar, que pode ser desencadeada por mais de 170 alimentos. A Dra. Renata Cocco, Coordenadora do Departamento Científico de Alergia Alimentar da ASBAI, explica abaixo quais os sintomas, diagnóstico, tratamento e os mitos que rodeiam o leite.  

Mitos sobre o leite de vaca e as alergias

Autismo - Os mitos em torno da alergia ao leite de vaca são muitos; entre eles, estão os distúrbios de comportamento, incluindo o autismo. Não existe comprovação científica de que o leite de vaca cause autismo. Secreção nasal – Não pode ser relacionada à alergia à proteína do leite de vaca se for o único sintoma referido. Asma e rinite – É preciso haver outros sintomas associados – como dermatológicos e gastrointestinais - para relacionar sintomas respiratórios à APLV. Outras doenças: Infecções recorrentes como otites e urticária crônica seguem a mesma orientação: dificilmente estão relacionadas a alergias alimentares. É preciso conhecer as reais manifestações clínicas para um diagnóstico correto. A restrição desnecessária, seja do leite ou de qualquer outro alimento pode causar prejuízos nutricionais, principalmente em crianças. Só o especialista em Alergia e Imunologia pode fazer o diagnóstico preciso.

Alergia alimentar: o que preciso saber?

O que é?

Resposta exagerada do organismo a determinadas proteínas presentes nos alimentos.

O que é anafilaxia? Reação alérgica mais grave e podendo ser fatal, caso a pessoa não seja imediatamente tratada com adrenalina. Como é feito o diagnóstico? Somente um médico, de preferência especializado em Alergia e Imunologia, pode realizar o diagnóstico preciso da alergia alimentar. A identificação precisa deve seguir quatro pilares: [laranja] 1 - História clínica: deve ser muito bem avaliada por um médico experiente. 2 - Exames laboratoriais: também precisam ser muito bem interpretados, pois nem sempre um exame de IgE positivo indica que o paciente seja alérgico. Exames que avaliam a presença de IgG a alimentos não possuem qualquer relevância clínica e não devem ser recomendados na investigação de qualquer tipo de alergia alimentar. 3 - Dieta de restrição: consiste em retirar o alimento, avaliar a melhora e expor o paciente novamente ao alimento, para assim ter a certeza de que existe a relação de causa e efeito. 4 - Teste de provocação oral: é o que realmente estabelece o diagnóstico. Consiste na oferta do alimento ao paciente, em doses regulares, crescentes, sempre sob supervisão médica. Deve ser realizado em ambiente apropriado - clínica, hospital ou até mesmo dentro da UTI -, dependendo da necessidade que o médico julgar. NUNCA deve ser feito em casa se o médico não orientar, pois coloca em risco a vida do paciente. [/laranja]