O roubo da bolinha vermelha

Quando aproveitar uma situação real para ensinar nossos filhos sobre os valores morais que acreditamos?

Publicado em 26/02/2020 às 16:55 | Categorias: ,
22.01.2018 - O caso da bolinha vermelha aconteceu há 3 anos com o Miguel, e eu resolvi compartilhá-lo com vocês após a lembrança de um post que eu fiz sobre o episódio aparecer no Facebook. O que esse acontecido pode ensinar a uma mãe? Vem comigo nessa história! Meu marido saiu com o Miguel, 4 anos, para ir ao mercado. Na volta, meu pequenino me chamou no quarto todo feliz e tirou do bolso uma bolinha vermelha. A conversa foi mais ou menos assim: - Mãe, olha a minha bolinha! Eu comprei, custou R$5,51! - É, filho? Você comprou? Mas com que dinheiro? - Não, mãe, eu comprei sem dar o dinheiro! - Filho, como assim você comprou sem dar o dinheiro? - É, mãe, eu comprei, mas não dei o dinheiro... shiiiiu (barulhinho com a boca), mãe, é nosso segredo! Não conta para o papai! - Filho, como assim? Isso não é comprar, é roubar! (Essa foi minha reação inicial, após uma vontade imensa de rir) - Roubar? (Ele falou naquela tom de "que palavra é essa?") ... Fui até a cozinha e perguntei para o meu marido se ele tinha comprado a bolinha. Ele afirmou que não, mas disse que o Miguel tinha pedido para que ele a comprasse e ele negou! Expliquei o acontecido e voltei para o quarto. ... - Filho, deixa a mamãe te explicar uma coisa, senta aqui. Ele, imaginando que fez coisa errada, me obedeceu e escutou. Expliquei como funciona o mundo financeiro naquela linguagem educativa e materna que sempre precisamos usar com os nossos filhos. Meu marido entrou no quarto e reforçou que nem sempre podemos comprar o que queremos. Para isso, era necessário trabalhar, ganhar dinheiro e organizar quais serão as prioridades de compra da casa e que, por essa razão, ele não tinha comprado a bolinha. Reforçou se ele tinha entendido o que a mamãe havia conversado com ele e o Miguel, meio chorando, respondeu que sim, completando que não podia pegar mercadorias sem dar o dinheiro, pois era errado. Combinamos que no dia seguinte iríamos até a loja e devolveríamos a bolinha vermelha! No dia seguinte eu sai de casa afirmando que antes de irmos para a escola, iríamos até a farmácia devolver a bolinha. Já no carro, logo que estacionei, o Miguel comentou: "mãe, foi ali que eu peguei a bolinha!" Entramos na farmácia (ele foi de boa, com a bolinha e o papelzinho que estava junto, descolado, na mão), mas quando deu de cara com o dono, travou e se escondeu atrás de mim. Eu abaixei, para ficar da mesma altura que ele, e juntos entregamos a bolinha para o moço, dizendo que estávamos lá para devolve-la, pois ontem ele havia a pegado sem dar o dinheiro. O moço sorriu, agradeceu, perguntou qual era o seu nome e falou: - Miguel, você gostou da bolinha? Meu filho acenou com a cabeça, dizendo que sim. - O que você fez foi errado, mas gostei de você vir até aqui falar a verdade e, por isso, eu vou te dar a bolinha de presente. Você aceita? Falei com a cabeça que não era preciso, mas ele fazia questão! Confesso que fiquei sem reação, pois tinham 2 clientes na farmácia, e reforcei que o que era certo era certo e ele, mesmo com 4 anos, precisava aprender que para ter as coisas é preciso pagar por elas. O moço da farmácia foi muito solícito e disse que com certeza ele já tinha aprendido. Na saída, reforcei para o Miguel que o moço o tinha presenteado por ele ter sido honesto, e que essa palavra significava falar sempre a verdade. Meu pai dizia que "valor é tudo aquilo que é importante e deseja-se preservar". Sempre ouvi dele que de tudo que ele podia nos ensinar, os valores eram os mais preciosos, pois ficariam para sempre em nós. Honestidade era um desses valores e eu sempre cresci com ele em mente. Desde que me tornei mãe, uma das minhas metas é mostrar para meus filhos os valores que eu e meu marido acreditamos não apenas nas palavras, mas também no exemplo. Acredito que é nosso papel educar e saber aproveitar cada situação para ensinar aos nossos filhos os valores morais os quais acreditamos e desejamos que eles sigam repassando vida afora.    

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