Livro para falar sobre as diferentes formas de amor

"Sentia-se esquisito. Não sabia se estava contente ou se estava triste. Toda a semana tinha andado a sonhar".

Publicado em 24/09/2019 às 16:41 | Categorias: , , ,
24.09.2019 - Você se preocupa em falar sobre as diversas formas de amor para o seu filho? Compartilhamos o relato de uma mãe que explicou para o seu filho como o amor não escolhe sexo, raça ou cor. Leia mais aqui e confira abaixo a história que ela leu para seu filho, para que ele pudesse entender mais sobre o amor entre pessoas diferentes.  

Confira a história do Sapo Apaixonado

Livro por Max Velthuijs. Editora Martins Fontes - WMF Era uma vez um sapo que estava sentado à beira do rio. Sentia-se esquisito. Não sabia se estava contente ou se estava triste. Toda a semana tinha andado a sonhar. Que teria? Foi então dar uma volta, a meio do seu caminho encontrou o Porquinho. - Olá, Sapo – disse o Porquinho. – Estás bem? É que não estás com muito bom ar. - Não sei – disse o Sapo. – Tenho vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. E aqui dentro de mim tenho uma coisa que faz tum-tum. - Talvez estejas constipado – disse o Porquinho. – Acho que devias de ir para casa. Preocupado o Sapo continuou o seu caminho. Depois passou por casa da Lebre e preocupado exclamou: - Lebre, não me sinto bem. - Entra e senta-te um bocadinho – respondeu ela muito simpática. – Ora então, que se passa? - Umas vezes fico com calor e outras fico com frio. E aqui dentro de mim tenho uma coisa que faz tum-tum. E meteu a mão da Lebre no peito, para esta sentir. Preocupada com o que sentiu, a Lebre entrou em casa e foi direito à estante, dela tirou um enorme livro. Depois de virar algumas folhas pensou muito, como um verdadeiro médico e ao fim de um tempo disse: - Já sei. É o teu coração. O meu também faz tum-tum. - Mas o meu às vezes faz tum-tum mais depressa do que o costume. Faz um-dois, um-dois, um-dois – disse o Sapo. - Aha! – disse ela. – Coração a bater acelerado, ataques de calor e de frio…quer dizer que estás apaixonado! - Apaixonado? – Disse o Sapo, surpreendido. – Ena pá! Nunca tive uma cena dessas… O Sapo Apaixonado Ficou tão contente que deu um salto enorme pela porta fora. O Porquinho assustou-se muito quando o Sapo de repente lhe caiu do céu. - Estás melhor? – perguntou o Porquinho. - Se estou! Sinto-me ótimo – disse o Sapo. – Estou apaixonado! - Bem, isso é uma boa notícia. Quem é a sortuda? – Perguntou o Porquinho. O Sapo não tinha tido tempo para pensar nisso. Confuso e pensativo disse: - Já sei! Estou apaixonado pela linha e adorável patinha branca! - Não pode ser – disse o Porquinho. – Um sapo não pode estar apaixonado por uma pata. Tu és verde e ela é branca. Mas o Sapo não se importou com o que o Porquinho disse. O Sapo não sabia escrever, mas sabia fazer bonitas pinturas. Quando voltou para casa fez uma linda pintura, com muito verde, que era a cor que gostava mais. Quando caiu a noite, o Sapo saiu de casa com a pintura e enfiou-a por baixo da porta da Pata. Devido à emoção, tinha o coração a bater com toda a força. A pata ficou muito admirada quando encontrou a pintura. - Quem terá colocado esta pintura debaixo da porta? É tão linda, vou pendurá-la na parede. No dia seguinte o Sapo colheu um belo ramo de flores. Ia oferecê-las à Pata. Mas quando chegou à porta não teve coragem para a enfrentar. Pôs as flores ao pé da porta e fugiu o mais depressa possível. E durante muito tempo as coisas continuaram assim. A Pata adorava aqueles presentes. Mas quem é que os mandaria? Pobre Sapo! Apesar de perder o apetite, à noite também não dormia. E assim, continuou durante semanas. Como é que havia de mostrar à Pata que gostava dela? - Tenho que fazer uma coisa que mais ninguém seja capaz – decidiu ele. – Tenho de bater o recorde do mundo de salto em altura! A Patinha vai ficar muito surpreendida, e depois ela também vai gostar de mim. O Sapo começou logo a treinar. Praticou salto em altura dias a fio. Saltava cada vez mais alto, até às nuvens. Nunca nenhum sapo do mundo tinha saltado tão alto. - O que terá o Sapo? – perguntava a Pata, preocupada. – Saltar assim é perigoso. Ainda acaba por se magoar. E tinha razão. Às duas horas e treze minutos da tarde de sexta-feira, as coisas correram mal. O Sapo estava a dar o salto mais alto da história quando perdeu o equilíbrio e caiu ao chão. A Pata, que ia a passar nessa altura, veio a correr ajudá-lo. O Sapo mal conseguia andar. A Pata levou-o para casa e tratou dele com muito carinho. - Ó Sapo, podias ter-te matado! – disse ela. – Olha que tens que ter cuidado. Gosto tanto de ti! Então, finalmente o Sapo lá conseguiu arranjar coragem: - Eu também gosto muito de ti, querida Pata – balbuciou ele. Tinha o coração a fazer tum-tum mais depressa do que nunca, e ficou com a cara muito verde. Desde então, amam-se perdidamente. Um sapo e uma pata… Verde e branca. O amor não conhece barreiras.
Revisado por Madame Conteúdo.