A transmissão mãe - filho diminuiu muito no Brasil, mas ainda ocorre e os bebês infectados devem receber tratamento adequado
Publicado em 29/11/2013 às 10:30 | Categorias: Saúde, Em Consulta, Por idade, Até 28 dias, 0 a 2 anos, 2 a 5 anos, Gestante, Home
29.11.2013 - No dia 01 de dezembro, comemoramos o Dia Mundial da Luta contra a AIDS. Acredito que temos muito a comemorar, pois em 30 anos de epidemia, muito se apreendeu a respeito da doença, suas formas de transmissão e tratamento. A AIDS deixou de ser uma doença fatal e passou ser uma doença crônica. Um grande passo também foi observado no que se refere à prevenção da AIDS em crianças, transmissão vertical (da mãe para o filho).
As crianças nascidas de mães soropositivas para o HIV, podem adquirir o vírus durante a gestação, no parto (mais comum) e através da amamentação. Todas as gestantes devem ser testadas para o HIV no pré-natal, independente de risco ou classe social, em pelo menos duas ocasiões. As gestantes soropositivas e seus conceptos devem ser encaminhados para um seguimento especializado para tratamento precoce.
No início da epidemia, antes do conhecimento das medidas de prevenção, a taxa de transmissão vertical (mãe - filho) situava-se em torno de 25-30%, ou seja, de cada 100 partos, 30 recém-nascidos eram infectados.
Atualmente, essa taxa é de aproximadamente 1% quando todas as medidas de prevenção são seguidas. Estas incluem:
- Tratamento precoce das gestantes com drogas antirretrovirais potentes
- Tratamento com AZT intraparto
- Realização de parto cesariana
- Início precoce de antirretrovirais para o recém-nascido
- Não amamentação
A segunda carga viral deve ser realizada imediatamente após o primeiro exame, no caso de exame positivo e, aos 4 meses, quando o primeiro exame for negativo. Quando o bebê apresentar 2 cargas virais negativas ele é considerado não infectado.
Com 18 meses de vida, estes bebês são testados com sorologia para HIV para documentar a eliminação de anticorpos maternos.
Em contrapartida, define-se bebê infectado quando este apresentar duas cargas virais positivas.
Definido o diagnóstico, o bebê exposto e não infectado deve manter seguimento de puericultura, atentando ao fato de ter sido exposto ao vírus e aos medicamentos que podem dar anemia, neutropenia etc.
Exames de diagnóstico no bebê
A definição da infecção do recém-nascido inicia-se com a coleta de sangue para determinação da carga viral que detecta o vírus no sangue do bebê. A sorologia para o HIV não deve ser realizada nesse momento, pois todos os bebês expostos apresentam anticorpos contra o HIV detectáveis, pois há passagem transplacentária desses anticorpos da mãe para o feto.
A segunda carga viral deve ser realizada imediatamente após o primeiro exame, no caso de exame positivo e, aos 4 meses, quando o primeiro exame for negativo. Quando o bebê apresentar 2 cargas virais negativas ele é considerado não infectado.
Com 18 meses de vida, estes bebês são testados com sorologia para HIV para documentar a eliminação de anticorpos maternos.
Em contrapartida, define-se bebê infectado quando este apresentar duas cargas virais positivas.
Definido o diagnóstico, o bebê exposto e não infectado deve manter seguimento de puericultura, atentando ao fato de ter sido exposto ao vírus e aos medicamentos que podem dar anemia, neutropenia etc.
Tratamento de bebês infectados
Até mesmo antes da definição do diagnóstico, todos os bebês começam a receber um antibiótico (sufametoxazol-trimetropim) a partir de 6 semanas de vida, para evitar o risco de pneumonia grave. Após a exclusão do diagnóstico, com 4 meses, essa medicação deve ser interrompida nos bebês não infectados. Todos os bebês recém-diagnosticados como infectados devem ser tratados com uma combinação de antirretrovirais com o objetivo de suprimir a replicarão viral e impedir a destruição das células de defesa. Essas drogas são oferecidas gratuitamente pelo Ministério da Saúde e são formuladas em xaropes para essa faixa etária, com sabor tolerável na maioria delas. Os pais ou cuidadores devem estar familiarizados com as drogas, doses e possíveis efeitos colaterais e bem informados a respeito da necessidade da não interrupção do tratamento, que pode favorecer a resistência viral. Esse tratamento deve envolver a abordagem de uma equipe multidisciplinar responsável pelo cuidado integral da família e do bebê. A aceitação do diagnóstico nem sempre e fácil, pois a família enfrenta sentimentos contraditórios, como medo, arrependimento, culpa que podem comprometer o tratamento. Em relação às imunizações, os bebês infectados devem receber, além do esquema de rotina, outras vacinas especiais e não podem receber a vacina contra a pólio oral que são fornecidas nas campanhas de vacinação.Felizmente, o panorama da transmissão vertical no Brasil é animador e a meta do Ministério da Saúde para 2015 é a erradicação a níveis inferiores a 1% dos casos. Mas ainda há muito a se fazer para a concretização desse objetivo.