Psicóloga infantil lista os possíveis comportamentos de crianças vítimas de abuso sexual
Publicado em 18/05/2018 às 05:39 | Categorias: Destaque, Comportamento, Desenvolvimento Infantil, Por idade, 0 a 2 anos, 2 a 5 anos, 5 a 10 anos, Acima de 10 anos
18.05.2018 - 70% das vítimas de abuso sexual são crianças e adolescentes; 24,1% dos agressores dos menores são os próprios pais ou padrastos e 32,2% são amigos ou conhecidos da vítima, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Por isso, o Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi criado para convocar a população ao enfrentamento dessa realidade alarmante. Mas como identificar os possíveis sinais de abuso sexual em crianças e adolescentes?
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"O menor vítima de abuso sexual
pode dar sinais de que está sendo violentado
através do comportamento"
A frase é da ex-coordenadora do Programa de Saúde Sexual do Adolescente Carolina Freire. "É preciso, porém, considerar o comportamento individual de cada menor. No caso das crianças comunicativas, o isolamento repentino pode ser um indício de que algo errado está acontecendo, mas se o pequeno for naturalmente quieto, é provável que o distanciamento seja parte da personalidade dele", exemplifica a psicóloga com especialização em desenvolvimento infantil. Ainda segundo ela, os possíveis sinais de abuso sexual em crianças ou adolescente são:Compulsão ou falta de apetite
A criança ou adolescente vítima de abuso sexual que alimentava-se em boa quantidade pode passar a demonstrar falta de apetite repentino ou vice-versa.Hábitos contraditórios
O menor que nunca agiu de determinada forma começa, de repente, a agir. Algumas situações são: apresentar medos antes não existentes - do escuro, de ficar sozinha ou perto de determinadas pessoas -; mudanças extremas no humor, como quando a criança era superextrovertida e passa a ser muito introvertida ou era supercalma e passa a ser agressiva. A mudança de comportamento também pode se apresentar com relação a uma pessoa ou atividade específicas: não querer ir a uma atividade extracurricular, visitar um parente ou vizinho ou mesmo voltar para a casa depois da aula pode ser sinal de que algo errado está acontecendo com relação a esses indivíduos ou ambientes.Isolamento
A violência sexual pode fazer com que crianças naturalmente comunicativas deixem de conversar, brincar ou relacionar-se de outras formas com amigos, familiares ou com o próprio agressor. No caso dos pequenos com personalidade introvertida, o isolamento pode tornar-se mais intenso.Regressão
Outro indicativo é o de recorrer repentinamente a comportamentos infantis que a criança já havia abandonado, como fazer xixi na cama, chupar o dedo ou chorar sem motivo aparente. Nesse caso, os comportamentos ocorrem porque o pequeno tenta voltar à época em que os abusos não aconteciam, ou seja, quando ele era ainda menor.Questões de sexualidade
Um desenho, uma "brincadeira" ou um comportamento mais envergonhado com relação às questões sexuais podem ser sinais de que uma criança esteja passando por uma situação de abuso. Isso porque se a criança nunca falou sobre sexualidade e começa a fazer desenhos em que aparecem genitais, ela pode estar demonstrando que viu cenas como essas pessoalmente ou que alguém colocou imagens dessa conotação para ela ver.
O aviso indireto pode vir em forma de brincadeiras. Quando o menor chama os amiguinhos para brincadeiras que têm cunho sexual ou algo do tipo, ele pode estar reproduzindo o comportamento do abusador em outras crianças.
O cuidado deve ser redobrado com crianças que, ainda novas, passam a apresentar um "interesse público" por questões sexuais, ou seja, quando o menor, em vez de abraçar um familiar, dá beijo ou acaricia locais inapropriados.
O uso de palavras diferentes das aprendidas em casa para se referir às partes íntimas também é motivo para se perguntar à criança onde ela aprendeu tal expressão.
Segredos
Para manter o silêncio do menor, o abusador pode fazer ameaças de violência física contra a vítima ou contra pessoas que fazem parte do círculo afetivo dela ou, ainda, oferecer presentes, dinheiro ou outro tipo de benefício material para construir a relação com a criança ou adolescente. No primeiro exemplo citado, a criança pode passar a apresentar comportamento de quem sente medo, tristeza ou angústia. Já no segundo caso, é comum que o menor evite responder a perguntas sobre as regalias.