Coração de mãe vai na mala

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Tem uma música, do francês Michel Sardou que diz assim: “Meus queridos pais, eu vou embora. Eu os amo, mas eu vou embora (…) Eu não fujo, eu vôo, entendam: eu vôo”(Michel Sardou – Je vole) E se tem alguém que minha mãe culpa todos os dias pela minha vontade de voar é a Pocahontas. Isso mesmo. A índia que a Disney transformou em personagem. Mamãe se orgulha em dizer que me criou para o mundo, entretanto, afirma que ao ler a Pocahontas para mim quando eu tinha 8 anos, ela me perdeu. Foi a primeira vez que eu disse: “Quero ir pra Inglaterra também, mamãe“. E 7 anos mais tarde ela me levou a Europa, e nossa viagem começou na Inglaterra. O primeiro país de muitos que eu viria a conhecer. Alguns eu conheci com ela, outros eu conheci sozinha. Cada despedida no aeroporto era a mesma coisa. Ela, meu pai e meu irmão acenando felizes, e depois… ela ia chorando do carro até em casa. Em nossa primeira viagem juntas. Paris, 2006. Alessandra Garattoni uma vez escreveu “Sempre me achei muito filha para ser mãe “. Eu confesso que sou assim… já a minha mãe, ao contrário, parece ter nascido para ser mãe e eu só entendi isso o dia que alguém no salão me falou: “eu não conseguiria ser sua mãe, afinal você está sempre indo embora”.  Aquele dia entendi a grandiosidade do amor que minha mãe tem por mim.... um amor pleno e genuíno, um amor que ultrapassa fronteiras. Ela me apresentou a Europa com seu scastelos e sua história, minha primeira experiência lá fora. Era como se estivesse cumprindo sua missão 7 anos após ter lido a Pocahontas. Anos mais tarde concorria uma bolsa e ganhei um intercâmbio para china. Lá estava eu, me jogando no mundo, mais um vez. Muralha da China, 2012. Quando viajamos o mundo nos parece uma novida de tão grande… que não imaginamos como as pessoas ficam sem nós. Mamãe e minha madrinha sempre teve uma sintonia muito grande comigo. Mamãe sempre soube dizer quando eu estava mal, enquanto minha madrinha adoecia junto comigo… talvez porque minha madrinha também seja tão filha dela quanto eu. Atualmente, eu tenho isso com minha afilhada. É como uma sintonia afinada do amor. Essas conexões que ninguém diz. Só que cada vez que eu viajo parece que essa sintonia entra em modo avião. Desliga. Mamãe não sente quando estou em apuros – seja no alerta amarelo de chuva na China, ou quando estive na fronteira com o paquistão… ou até mesmo quando quase sofri um acidente de moto em Cuba. Devo dizer que maior que o amor de mãe é a proteção do meu anjo da guarda. Foto postada por ela no facebook, quando embarcava para passar 1 mês em Cuba. Minhasegundaviagemailha, 2015. Nãofoifácil..maselasempre me apoiou. Europa, China, Índia, Cuba..sóparacitaralgumaspassagens. Meupaisempredeixousuaspreocupaçõesevidentes, jámamãesempre me ajudou a colocarumalente no mundo.Talvezumalente de coragem. Elatambémapresentou o mundoaomeuirmão, levando-o aosEstadosUnidosanosmaistarde, depois de nossaida à Europa. E nessaviagemdescobrimosquemãestambém tem sonhos. O dela era conhecer São Francisco, e a felicidadedelaaoatravessar a pé a Golden Gate foiadmirável. Entendemosaimportância de encorajarquemnosencorajatambém.   Nós 3 em São Francisco. 2014. E nossaúltimaviagem, foimeuintercâmbionaUniversidade do Texas. Issomesmo! Mamãefoifazerintercâmbiocomigo.Convidadapelaminhamentora, queconsiderominhamãe de intercâmbio.Euestavaaplicandopara o doutoradonaquelauniversidade e elafoicomigoparaconhecer a cidade, procurer apartamento e se certificar do q euestavafazendo. Na faculdade de Arquitetura, em Austin – Texas. 2015. Os psicólogos dizem que mães não podem ser amigas, entendo que é porqueseupapelcomomãejá é maiordo quetodosos outros juntos… e nenhumaamigaentende o amorincondicional q é deixaruma parte irembora e continuarinteira. No diaqueelafalouquetinhafeito um bomtrabalho, quando me viu no trabalhovoluntárioemuma favela naÍndia.. 2013/2014.