30.12.2015 - Nessa época festiva do ano muitas mamães devem ficar preocupadas com a audição das crianças por conta das bombas e rojões. Mas será que os fogos de artifício prejudicam a audição dos bebês?
Conversamos com a fonoaudióloga Helenice Nakamura para entender mais sobre os prejuízos causados para a audição dos bebês e dos adultos também!
Protejam as crianças nessa noite de Ano Novo que se aproxima e Feliz 2016 para todos!!!
Fogos de artifício prejudicam a audição dos bebês?
1) O barulho dos fogos de artifício prejudicam a audição dos bebês? Por que?
O barulho pode ser definido como um som indesejável, o que varia de pessoa para pessoa, uma vez que o que é agradável para uma pessoa pode ser desagradável para outra. Dessa maneira, o julgamento do que seja barulho depende de quem ouve. O que causa desconforto ou uma alteração auditiva ou mesmo exta-auditiva são os sons intensos ou os níveis de pressão sonora elevados (NPSE) presentes nas cidades, indústrias e na explosão de fogos de artifício. A exposição a NPSE pode causar sintomas não auditivos como alterações na qualidade do sono, dor de cabeça, transtornos digestivos, cardiovasculares, hormonais, comportamentais como falta de atenção e/ou alteração de concentração, insônia, estresse, mudança de humor. Como sintomas auditivos podemos citar o zumbido (chiado ou apito no ouvido percebido sem relação com uma fonte externa, que o sujeito percebe), dificuldades de compreensão em ambientes com mais de um falante e a piora da conversação em locais ruidosos, além disso, pode ocorrer a sensação de ouvido tapado, dificuldades de localizar os sons e a perda auditiva que começa insidiosa nas altas frequências e com o passar do tempo torna-se maior acometendo outras frequências e causando dificuldades de entendimento cada vez maiores. Uma coisa é certa: a exposição a NPSE faz com que as células da orelha, responsáveis pela transmissão sonora, percam a função e, dessa maneira ao medir a audição encontramos uma perda auditiva. Quando falamos em fogos de artifício trata-se de um som intenso, único que causa trauma acústico, a orelha não teve condições de se recuperar frente ao NPSE. O bebê desde a barriga escuta sons, ao nascimento reconhece a voz da mãe e pode se acostumar aos sons da casa para dormir, o que chamamos de habituação. Entretanto, os NPSE atingem a todos e frente a uma explosão de fogos de artifício o bebê que estava dormindo pode acordar, chorar desconsolado e mesmo adquirir uma perda auditiva.
2) Até qual idade o bebê é mais sensível ao barulho?
A sensibilidade auditiva depende de uma série de fatores que estão ligadas ao ambiente em que vivemos, mais ou menos ruidoso à possibilidade de habituação aos sons quase como desconsiderando-os para poder prestar atenção- dirigir a atenção a determinado som e mesmo dormir. Entretanto, mesmo um som que não seja intenso pode prejudicar a qualidade da atenção, do sono, da comunicação.
3) Como os pais podem proteger seus filhos, nessa época festiva do ano, do barulho dos fogos?
Caso saiba que haverá queima de fogos em determinada hora e lugar ficar distante, aproveitar as luzes e não se expor ao som intenso. Como nem sempre isso é possível e pode mesmo ser imprevisível, uma alternativa a se pensar é a colocação de uma barreira entre a orelha e o som – um protetor auditivo. No caso de bebês e crianças pequenas o modelo recomendado é o de concha que cobre toda a orelha ou então um que seja moldável na orelha, por exemplo, os protetores utilizados na natação. Uma outra opção pode ser um protetor moldado por um fonoaudiólogo.
4) Há alguma consequência a longo prazo caso a criança fique muito exposta a esse tipo de barulho?
Quando trata-se de um som intenso e inesperado como os fogos de artifício, dependendo da distância em que foi solto um rojão uma única exposição pode desencadear uma perda auditiva irreversível nas altas frequências – o que caracteriza-se com trauma acústico. Frente a sons intensos instintivamente tapamos os ouvidos o que diminui a intensidade, quando tratar-se de algo inesperado não temos este tempo para proteção. Dessa maneira, o de melhor podemos fazer é nos distanciar dos fogos de artifício e outras explosões, quando isso for possível.
5) Quais são os sinais de incômodo que a criança pode apresentar?
Um claro sinal de incômodo que o bebê pode demonstrar à maioria das situações é o choro.
Estudiosos da área do sono afirmam que mesmo que o som seja considerado tolerável (55 a 65 dB) que corresponde a uma conversa em que os falantes estão próximos – conversa calma ou equivalente a uma ambiente com música suave pode ter reações fisiológicas de início de estresse que excita o sistema nervoso autônomo que produz um desconforto auditivo e maior vigilância e agitação.
Uma estimulação excessiva pode desencadear o choro em um bebê e isso depende do estado de consciência em que o bebê se encontra antes da apresentação do som, do tipo, frequência e do conhecimento anterior a este mesmo som. No caso da explosão de um rojão que é um som intenso e inesperado e da proximidade com a fonte sonora (rojão) o bebê pode agitar-se, acordar ou chorar e ficar com uma alteração auditiva. Cabe sempre lembrar – com fogos de artificio por perto a proteção é a melhor solução!