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Hoje vamos partilhar a história da Bárbara Rinco, mãe de um filho de 7 anos, que descobriu estar com depressão quando ele tinha 2 aninhos. Pedimos para ela relatar como tomou ciência e, assim, relatar pontos importantes com vocês sobre saúde mental. "Eu estava sempre cansada, afinal, meu filho acordava de 5 a 8 vezes por noite. Além disso eu apresentava muita irritabilidade e comecei a ter muitos pensamentos negativos. Me sentia incapaz de exercer a maternidade como eu sonhava, me sentia confusa, com sentimentos que não eram de acordo com minha personalidade. Sentia vontade de ficar deitada, sem fazer nada! Em um dia comum, quando meu filho já tinha completado seus 2 aninhos, eu estava sentada com ele em meus braços, pensando em como resolver alguns dos meus problemas. Naquela época eu não conseguia resolver nada, sentia que uma avalanche de coisas derramava sobre mim. E, como resposta a esse questionamento interno, passou pela minha cabeça um pensamento: “A solução é me matar”. Entrei em pânico por apenas pensar nessa hipótese. O pensamento era real. Eu não quis mais ficar sozinha com meu filho, liguei para o meu marido, que estava viajando e, posteriormente, agendamos uma consulta na psiquiatra, ao qual fomos juntos. O meu diagnóstico foi depressão em estágio grave. Como uma mulher tendo realizado seu sonho de dar à luz recentemente pensaria em algo assim? Acho importante ressaltar que ficar exausta durante o puerpério é normal, mas, quando a irritabilidade, pessimismo e cansaço se intensificam constantemente, a vida começa a perder o sentido e não sentimos mais vontade de fazer nada, provavelmente a depressão já está instalada. Procurar ajuda é fundamental. Com o tempo eu descobri que o psiquiatra trata de doenças como os demais profissionais da saúde, mas doenças que não são visíveis a nossos olhos. Quando iniciei meu tratamento eu já estava com depressão há muito tempo. Foi recomendado que eu tomasse medicação e visitasse a psicóloga regularmente. A minha relação com meu bebê e com meu marido estavam desestruturadas, pois meu cansaço e irritabilidade prévia, até descobrir a doença e, o início dos efeitos da medicação pareceram levar uma eternidade.   Nesse período meu marido assumiu totalmente a rotina da madrugada, além de outras atividades maternas. Ele se sentiu sozinho e desamparado, já que eu só queria ficar deitada, sem ter nenhuma responsabilidade. Foi desafiante ele compreender que todos os sintomas que eu tinha era de uma doença. Ele precisou procurar ajuda de uma psicóloga e levou tempo e paciência para juntos entendermos tudo o que estava acontecendo. Eu iniciei uma melhora após 2 meses de medicação. Me sentia mais animada, sem desejo de ficar deitada o dia inteiro e, então comecei a reestruturar a minha vida. O acompanhamento na psquiatra e no psicólogo são extremamente importantes, pois o desmame da medicação e a alta de um paciente leva bastante tempo. Por duas vezes eu tentei parar com a medicação, mas meu corpo voltou a ter os sintomas. Até hoje, ou seja, há cinco anos eu estou em tratamento, visitando meus médicos, tomando medicação controlada e tocando minha vida animada e feliz! Eu acredito que o sofrimento pode ser reduzido através da informação e, assim, iniciei uma jornada para conscientizar as pessoas sobre a depressão e a importância de buscar ajuda. Quero difundir todo meu aprendizado e, por isso, criei um instagram para compartilhar desse assunto. Desejo que este depoimento sirva de inspiração para você caso esteja passando por tudo isso. Conte comigo se precisar. Bárabara Rinco Escritora e Palestrante Instagram: @barbararinco